Sem o Certificado Veterinário Internacional CVI, nenhum cão ou gato embarca para a Europa. É o último documento do processo e o único que o país de destino realmente confere na chegada, mas depende de tudo o que veio antes estar correto: microchip, vacina, sorologia e atestado de saúde. Entender como ele é pedido, quanto tempo leva e onde os pedidos costumam travar evita que a viagem seja adiada a poucos dias do embarque.
O que é o CVI e quem emite
O Certificado Veterinário Internacional é o documento oficial que atesta a identidade, o histórico de vacinação e as condições sanitárias do animal, comprovando que ele cumpre as exigências do país de destino. No Brasil, quem emite o CVI são os Auditores Fiscais Federais Agropecuários do Vigiagro, ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária. O serviço é gratuito e feito de forma eletrônica, pelo portal Gov.br, com um pedido separado para cada animal. O resultado é o e-CVI: um PDF com assinatura digital e QR code que permite ao país de destino conferir a autenticidade.
--------------------Continua após a publicidade------------------
Desde junho de 2026, só o médico veterinário pode pedir
A mudança mais importante para quem está começando agora é que, desde 1º de junho de 2026, a solicitação para a União Europeia, Noruega, Suíça e Irlanda do Norte precisa ser feita por um médico veterinário registrado e residente no Brasil. O profissional se habilita no sistema com o próprio CPF e passa a responder pelas informações declaradas. Na prática, o tutor reúne os documentos e o veterinário faz o cadastro no sistema, o que torna a escolha do profissional uma decisão estratégica: vale procurar quem já tenha experiência com exportação de animais.
Documentos exigidos para o pedido
Todos os anexos são enviados em PDF, digitalizados a partir do original, coloridos e com boa resolução, sem cortes, montagens ou rasuras. Cada arquivo precisa de assinatura eletrônica, que pode ser feita pelo aplicativo Assinador gov.br ou por certificado digital. A lista básica inclui:
- Atestado de saúde: gerado pelo próprio sistema, impresso, preenchido com caneta azul pelo veterinário após o exame clínico e assinado e carimbado.
- Comprovante de microchip: com a data de implantação ou leitura, mais uma foto original da leitura do chip no aparelho, sem edição.
- Carteira de vacinação: frente e verso, com dados do tutor e do animal, número do microchip, lote e validade da vacina.
- Laudo da sorologia da raiva: emitido por laboratório aprovado, com resultado igual ou superior a 0,5 UI/mL.
- Comprovante de viagem: passagem ou reserva do animal.
- Autorização assinada: exigida apenas quando quem viaja com o pet não é o tutor que consta nos documentos.
Os prazos que organizam o calendário
O CVI trabalha com uma janela curta, e é aí que muitos processos escorregam. O pedido deve ser enviado entre 9 e 3 dias antes do embarque, e o exame clínico que embasa o atestado de saúde precisa ter ocorrido em até 10 dias antes da viagem. O prazo de emissão é de até 72 horas corridas quando toda a documentação está correta, mas pode passar disso em períodos de alta demanda. Se o Auditor devolver o pedido para correção, a contagem recomeça a partir da correção.
Depois de emitido, o e-CVI vale por 10 dias para a entrada na Europa. Ao ser conferido na chegada, dá direito a circular pela União Europeia por mais 4 meses, e vale para o retorno ao Brasil por 60 dias a partir da emissão, desde que a vacina antirrábica esteja em dia.
--------------------Continua após a publicidade------------------
Chancela física e dossiê impresso
Como a União Europeia ainda não aceitou formalmente a assinatura exclusivamente digital, o e-CVI precisa ser impresso em forma de dossiê, com as páginas numeradas, e receber uma chancela física em uma unidade do Vigiagro. Essa conferência é feita por um servidor com formação em medicina veterinária, e a validade do certificado conta a partir da emissão eletrônica, não da chancela. Por isso vale contatar a unidade com antecedência para confirmar horários e disponibilidade, especialmente perto de feriados. Levar o documento impresso no embarque é obrigatório.
Quando o pet viaja separado do tutor
Desde 22 de abril de 2026, o modelo de certificado depende da relação entre o animal e quem o acompanha. Se o tutor viaja junto, ou dentro de um intervalo de 5 dias antes ou depois do pet, o certificado sai no modelo sem valor comercial. Quando o animal segue como carga e o tutor não viaja nesse intervalo, o certificado é emitido como comercial, e o cenário muda: as exigências são outras e o processo tende a ser mais rígido. Vale declarar essa situação corretamente já na abertura do pedido, porque a escolha altera todo o restante do formulário.
Erros que fazem o pedido ser devolvido ou indeferido
Alguns problemas têm correção; outros levam ao indeferimento direto, obrigando a recomeçar. Documentos rasurados, editados eletronicamente ou com alterações em dados de identificação, nascimento, microchip ou vacinação não são passíveis de correção. Entre os deslizes mais comuns estão:
- Número do microchip ausente no comprovante de vacina.
- Nome do animal diferente do que consta na carteira.
- Raça e cor da pelagem preenchidas em português, quando o sistema exige inglês.
- Atestado de saúde fora da janela de 10 dias antes do embarque.
- Arquivos unidos depois de assinados, o que invalida as assinaturas anteriores.
Tratamento antiparasitário em alguns destinos
Para cães que seguem a Finlândia, Irlanda, Malta ou Noruega, é obrigatório um tratamento contra a tênia Echinococcus multilocularis, feito pelo veterinário entre 24 e 120 horas antes da entrada no país quando o animal viaja acompanhado. Nos demais países o campo aparece automaticamente tachado no atestado. Como esse prazo é apertado, o pedido para esses destinos só pode ser enviado no terceiro ou quarto dia antes do embarque.
O guia sobre documentação para viagem com pet ajuda a visualizar como o CVI se encaixa nas demais etapas do planejamento.
Perguntas Frequentes
O CVI é o mesmo que passaporte de pet?
Não. O passaporte é um documento de circulação de animais dentro de um bloco de países. Para quem sai do Brasil rumo à Europa, o documento aceito na entrada é o CVI.
Preciso de um CVI para cada animal?
Sim. Cada solicitação vale para um único animal, e abrir mais de um pedido para o mesmo pet é desaconselhado: se houver erro, a orientação é corrigir o pedido existente.
Posso pedir o CVI com muita antecedência?
Não. O pedido só pode ser enviado entre 9 e 3 dias antes do embarque, e o atestado de saúde precisa refletir um exame feito em até 10 dias antes da viagem.
O que acontece se a vacina antirrábica vencer durante a viagem?
O CVI deixa de valer para o retorno ao Brasil, e será necessário novo reforço vacinal e emissão de outro certificado no país onde o pet estiver.
O CVI serve para qualquer país da Europa?
O modelo em questão vale para a União Europeia, Noruega, Suíça e Irlanda do Norte. Outros destinos, como Reino Unido, têm processo próprio no mesmo portal.
Aviso Importante
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico veterinário habilitado ou de um despachante especializado em transporte internacional de animais. As regras do CVI mudam com frequência e variam conforme o país de destino; confirme sempre as exigências atualizadas no portal Gov.br e com a unidade do Vigiagro mais próxima antes de iniciar o processo.
Sou redatora especializada no universo pet, transformando cuidados e curiosidades sobre animais em conteúdos envolventes. Com foco em bem-estar e comportamento, escrevo para conectar tutores às melhores práticas de manejo, de animais domésticos. Meu objetivo é criar textos informativos que eduquem e fortaleçam o laço entre humanos e seus companheiros.